
No dia de mobilização em defesa do municipalismo, os prefeitos da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) anunciaram oficialmente ao lado de produtores rurais, representantes de indústrias e cooperativas pertencentes à agricultura familiar o subsídio de R$ 6milhões fornecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a compra do excedente de pêssego na região sul. "Neste dia importante de luta pela integridade de nossas prefeituras estamos procurando aparar uma aresta relevante para a economia regional, que é a questão da produção de pêssego", disse o presidente da entidade, José Sidney Nunes de Almeida, prefeito de São Lourenço do Sul.
Conforme Nunes, que coordenou o encontro ao lado dos demais prefeitos e do representante da Conab, Rogério Neuwald, as negociações serão feitas diretamente entre a Companhia e os produtores rurais ou cooperativas e devem envolver mais de três milhões de quilos de latas. Cada produtor, desde que devidamente inscrito no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), deverá receber até R$ 8mil na entrega da fruta. "Esta conquista é de todas as lideranças da região que acreditaram que a alternativa seria viável. Mas, a articulação política precisa continuar para o sucesso da operação na região", observou.
Neuwald garantiu que o pêssego adquirido não entrará no mercado. Segundo ele, as latas serão distribuídas para as famílias que estão em segurança alimentar residentes nas regiões Nordeste e Centro Oeste do País como forma de divulgar as características nutricionais do consumo de compotas e valorizar a economia proveniente da agricultura familiar.
Elogiada por totalidade das lideranças presentes ao encontro, a iniciativa é inédita na região e surge como alternativa para resgatar a atividade agrícola para todos os envolvidos na cadeia produtiva do pêssego. O prefeito de Pelotas, município com maior produção da fruta no Brasil, Adolfo Fetter Junior, foi um dos que manifestou seu contentamento com o anúncio da compra da produção excedente pelo Governo Federal. Segundo ele, graças à atual conjuntura e o excelente momento de costura política entre lideranças regionais as coisas estão andando e já repercutem para a retomada do desenvolvimento.
CRISE MUNICIPALISTA - Para acompanhar a mobilização proposta pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) reivindicando melhores condições financeiras às prefeituras, os chefes do Executivo da Azonasul manifestaram descontentamento às políticas chamando a atenção da comunidade sobre os gastos anuais das prefeituras com educação e saúde. No primeiro assunto, por exemplo, o ponto mais preocupante são as novas estimativas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Segundo dados da Azonasul, em 2009, em comparação a 2008, serão R$ 9,2 bilhões a menos. Deste montante, a diminuição nos municípios é de R$ 4,6 bilhões. Na questão da Saúde, a importância da regulamentação da Emenda Constitucional 29 ganhou destaque. De acordo com a entidade, a aprovação da Emenda, que está parada na Câmara dos Deputados há seis anos, é uma importante alternativa para garantir mais recursos à Saúde no País. "Somente em 2008, gestores investiram, em média, 22% dos orçamentos em Saúde. É mais que os 15% exigidos na Lei", reforçou o presidente Zé Nunes.